ZPE de Barcarena: Mecanismo e Impacto Industrial
Recentemente, o cenário industrial do Pará começou a receber definições técnicas para o próximo ciclo econômico. A publicação do Decreto nº 12.823, em janeiro de 2026, oficializou a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Barcarena.
Sinal verde para uma mudança de
modelo na nossa indústria: saímos da lógica de "extrair e embarcar"
para a lógica de "processar e agregar valor".
O que é uma ZPE?
Antes de tratar do projeto, vale adentrar
no conceito. Uma ZPE não é apenas um distrito industrial com nome diferente.
Trata-se de uma área de livre comércio com o exterior, delimitada fisicamente e
com regime aduaneiro especial.
Para as empresas, o principal
atrativo é a suspensão de impostos federais (como Imposto de Importação, IPI,
PIS e COFINS) na aquisição de máquinas e insumos. Na prática, isso reduz o
custo de implantação (CAPEX). Além
disso, as empresas terão "liberdade cambial", podendo manter 100%
das divisas obtidas nas exportações no exterior, sem a obrigatoriedade de
conversão imediata para reais (podendo ser um mecanismo de proteção importante
contra a volatilidade da nossa moeda).
O objetivo técnico é dar
competitividade internacional ao produto brasileiro, diminuindo o peso
tributário da produção.
O Projeto Âncora: Bravo Metals
ZPEs no Brasil falharam por serem
criadas em locais sem vocação logística ou sem demanda industrial confirmada,
tornando-se "elefantes brancos". O caso de Barcarena tenta mitigar
esse risco através de um projeto-âncora já definido.
A área de 271 hectares, vizinha
ao Porto de Vila do Conde, nasce com um investimento previsto de R$ 1 bilhão da
Bravo Metals (vinculada à Bravo Mining Corp). A presença de um investidor
privado confirmado desde o dia um, traz uma validação econômica que faltou em
outros empreendimentos estatais.
A Lógica da Verticalização
Do ponto de vista de processos, a
proposta altera a cadeia logística atual. O projeto prevê a instalação de um
complexo metalúrgico para refinar metais críticos (platina, paládio, ródio e
níquel) oriundos de Carajás.
A vantagem estratégica está na
retenção do processo de transformação dentro do estado. Ao invés de exportar minério
bruto, exporta-se metal refinado de alto valor agregado, essencial para
indústrias de alta tecnologia.
Outro ponto técnico relevante é a
sinergia industrial planejada. O processo de refino gera enxofre como
subproduto. O projeto prevê capturar esse enxofre e convertê-lo em ácido
sulfúrico, insumo que hoje é importado pelas misturadoras de fertilizantes da
própria região. Se executado corretamente, isso fecha um ciclo logístico local,
reduzindo custos para o polo agrícola vizinho.
Próximos Passos e Desafios
Apesar do decreto assinado, a
execução impõe desafios. O Governo do Estado tem um prazo de 90 dias para
definir a administradora da ZPE, e as obras de infraestrutura básica
(arruamento, cercamento alfandegado) devem iniciar em até 24 meses.
O sucesso da ZPE de Barcarena não
dependerá apenas dos incentivos fiscais, mas da celeridade no licenciamento e
da capacidade de entregar a infraestrutura prometida sem os atrasos comuns. A
engenharia financeira e o local estão definidos, o teste agora será a
eficiência da gestão e o preparo para atender a complexidade industrial que vai
se instalar nos próximos anos.
Imagem: bravominig.com
Texto: Lucas Gorayeb
Fontes:
gov.br
expernews.com
agenciapara.com.br
bravominig.com

Excelente pesquisa !!
ResponderExcluirMuito interessante! Parabéns!!
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